“Indago seus olhos, castanhos
Da cor da tempestade de ontem
Eles não falam
Não me respondem
Não choram
Ou sorriem
São silenciosos
Mais que você
E teus modos polidos e tímidos
Interpretam como frios
E distante da minha realidade
Mesmo quando perto
Sinto que estejas à anos-luz de mim
E de todos
Continuo indo contigo
Seus abraços rápidos e melindrosos
De receber qualquer afeto, você
Seu medo de relacionamentos
Suas músicas que são tão minha
Você, estranho, apático de olhos mudos
Perdido, só e triste
Sorriso de canto da boca, curto
Você tão louco, pudico
Perdido em alguma esquina da vida
(São tantas)
Louco novamente, tez branca
Rosto exageradamente barbado
Mãos geladas
Que se dão as minhas
Você, diferente de mim em quase tudo
Você tão limpo, preso, calmo
Alheio ao mundo
Sozinho, perdido
De estar perdido
E ser só, eu sei.
Nas diferenças
A tua presença
Me apaixona. — Vislumbro você.
“Poemas são pássaros
Presos na minha mente
Minha cabeça é uma gaiola
A noite abro um pouco
E a poesia alça voo
Os poemas cantarolam
De dia, presos e mudos.
Olho o mundo
E no silêncio profundo
Meus olhos choram. — Vislumbro. E você chora? Ou finge não sentir e vai embora?
“Guarda meus versos
Dentro do peito
Grava junto dos teus desejos
Que cá comigo
Levo você e seus beijos
E se a saudade aperta
Seja esperta
Abre o teu caderno
Juntas as palavras, veja os versos
Me encontre todos os dias
Na poesia
Dos teus dedos… — Vislumbro. O nosso amor é o poema e o poeta.
“Essa banheira de água quente, você na minha frente lendo, silencioso, teus olhos acompanham as frases, tuas mãos viram as páginas, meus olhos acompanham tua boca, as expressões do teu rosto ao decifrar e se envolver no enredo do escrito, minhas mãos percorrem tuas pernas, teus pêlos arranham minhas mãos finas, pequenas demais comparada ao tamanho de tuas pernas, a princípio gostei de ti por ser grande, largo, largueza em alguém me dá uma proteção, apesar dos teus olhinhos frágeis, parecem de menino, me sinto segura na tua largueza em minha volta, e possuida por uma alegria tola por ter os teus olhos pra mim. Olho pra você, recuo minhas mãos, as vezes penso que tua presença é pura invenção minha, à essa hora devo estar dando libertadade ao meu subconsciente pra produzir meus sonhos, num mundo onde meus desejos são leis. Dou risada, sou boba, deus, que bobagem! A risada alta te arranca do mundo parelelo do livro. Você sorrir, e os teus olhos infantis riem junto, me indagando um “o que foi?” Falo “nada”. Mas Cá comigo rezo sem saber o que é rezar, ou ter direito de algum pedido ao divino, mas ouso, em silêncio, oro “deus, se esse amor for um sonho, não me acorde nunca, deixe que eu morra com os olhos cerrados pra que ele se faça eterno. — Vislumbro você, seus trejeitos, me emaranho nas tuas pernas e por fim te amo, e morro sem saber de mim.
Abortando versos
Preguiça de escrever
Poema morto
Antes de nascer.
May.
“Choro um rio
por amar do tamanho do mar. — Vislumbro
Tô levando tudo de mim que é pra não ter razão pra chorar.Isso nunca será uma carta de adeus, eu nunca irei de verdade porque nunca cheguei, nunca fiquei, sendo assim não posso ir, perdão por te dar só metade de mim, perdão por pedir tanto perdão, desculpa ainda por errar tanto contigo, comigo mesmo, com nós. Eu te amo, por isso eu tô indo embora, porque eu não consigo ser inteiro pra você, eu não sei me dividir, você odeia metades, e eu sou metade. Sempre vou errar com você e te fazer chorar por não está ao seu lado quando você precisar, eu disse que não daria certo, disse pra não se apaixonar, mas eu confesso que quem se apaixonou primeiro fui eu - e quem conseguiria olhar nos teus olhos, ouvir sua voz e rir junto contigo, sem se apaixonar? Você é irresistível, linda, inteligente e gostosa pra caralho, e eu? Sou o que mesmo? Um filha-da-puta que não consegue ser de ninguém, nem dele mesmo. Eu sei que você não vai chorar por mim, talvez ria dessa carta estupida, talvez nem me ame, talvez eu não vá, talvez eu esteja feliz demais e isso me assusta, eu prefiro ser sozinho. Eu não sei como terminar está carta, assim como eu não sei terminar com você, essas palavras são mas fáceis saídas do papel do que da minha boca, é difícil dá adeus a você com a mesma boca que te beijo todos os dias.
(Mayara Vieira)
“O telefone não toca
Há tanta coisa presa na garganta
Além das mil e uma lágrimas
Camufladas por dois sorrisos
Hoje a saudade me abraça
Trazendo lembraças de você
Da sua voz, do seu olhar amigo
Da confusão, do nó
Que eramos nós
Da tua tua boca que me devorava
Em beijos que me mostrava
Infinitos…
Caminho pela casa
Abro um livro
Coloco pra tocar qualquer disco
O livro, a música
Contam a história do nosso amor antigo
Vai chover,
Troco o livro por um papel liso
E começo a escrever
Esse poema clichê
Vomitando tudo que eu quero esquecer
E no vazio enorme
A noite dorme
Ainda que tudo grite teu nome. — Vislumbro, não importa se rime, só ligue, me visite, quem sabe você goste e fique.
“Ando caçando amores
Entre cinzas e flores
Me perco e acho legal
Sou cheio dum vazio
Que assusta os próximos
Quando sentindo o meu mal jeito frio
Fogem em sorrisos
Abraçados no clichê
“Não é você
O problema é comigo
Mas ainda seremos amigos”
E nenhum telefonema
Tá passando um bom filme no cinema
Sou tão ameno, acho isso um problema
Ando pensando nisso
E ando, ando demais
Sem saber onde me leva isso
Não importa
A vida é sempre meio torta
Não acha? Não facilita pra ninguém
Só queria alguém
Que me lesse, gosto de me contar
Meu pensamento está meio turvo
Sabe? Alheio e viajando se mim.
Pronto, agora estavamos nós dois confusos,
Perdoi leitor, pelo desacordo, indo assim
Sem sentido,
O sem começo, o meu meio sem fim. — Vislumbro, sem nexo, com rimas, sem início, com confusão, sem saber se é poema ou confissão.
“Quando achei-me sozinha
No meio d’uma multidão
Te olhei, achei, percebi
Que a tua loucura parece com a minha
E os teus olhos sorriam
Me encantei e tão leve
Mas de um golpe rápido
Os meus olhos te cubriam
Tudo que era meu
Foi se misturando contigo, assim como eu
O meu inteiro
Com você se fez parceiro
Somando-se ou sendo dividido?
Não é medido
Basta o encanto do que é sentido Sinto que é bom
Não tenho medo
Nesse enredo
Só vejo
Junto, mais perto se já perto
Dentro dos teus olhos
Rindo tua risada
Andando por aí
De mãos dadas
Atadas a você
Entre palavras
Música e poesia
Nossas vidas emaranhadas em uma Todos os dias. — Mayara, para Andrey.
“Ainda busco escrever
Algo que faça sentido
Sinto lhe dizer
Que não consigo
Só imagino
Você, seus olhos, suas mãos…
Eu conto os segundos
E já se fazem dias
Mas cada dia a mais
É um a menos
Pro encontro acontecer
Quando acontecer
Rezo a qualquer deus
Pra que você seja meu
Mas sinto que já é, e sempre foi
Meu, meu amor
Quando os olhos se cruzarem
E os braços se abraçarem
O tempo cuida de parar
E o que foi finito
Não vai conhecer o fim
E o pulso acelera o coração
Tão tremulas as mãos
Se dão
O mundo encontra o silêncio
Os teus olhos ofuscam
Qualquer multidão
Só enxergo seus olhos
Só sei
Apenas que sou nós. — Mayara, para Andrey.
“E os meus textos, escritos, rabiscados em qualquer papel se assemelham aos meus amores, geralmente começo pelo fim, com a ideia de que não dará certo, em sua maioria trágicos, melancólicos, lúgubres, utópicos, as palavras se mesclam comigo, me abraçam quando os amores se vão, outras histórias escritas por outros dedos me contam, entendem o que eu sinto, amo como quem escreve poesias, montando castelos, juntando a dor e a alegria, no meu desespero interno, cuspo esperanças num pedaço de papel amigo, finjo que sinto, sinto e finjo que não, minto, e as vezes no auge do meu vazio triste, na dor silenciosa que grita no peito, roubo um sorriso de alguém estranho, jogo aquela alegria que me é desconhecida num poema qualquer, e nesse instante sou as palavras, sou o sorriso, conheço a alegria. Meus amores e todos os sentimentos que roubo são meus, transformados em palavras, eu sou palavra, triste e alegre, encontro, despedida e reencontro, carinho e rancor, sou poesia indecisa, poeta que não sabe amar, fingidor, ladrão, sequestrador dos sentimentos alheios. — Vislumbro, eu sou palavras.
“Eu sou saudade,
nessa idade
tudo lembra o passado
nesse estado
lembro daquele dia
dos seus sorrisos,
do futuro que sonhava ser presente
hoje só há lembraças,
e tudo está ausente
Sente?
Nostalgia,
“Nós tal dia… — Vislumbro
“tenho um afeto
quase perto
de ser amor
mas eu nem sei
quem eu sou
como vou ser amor? — Vislumbro.
“Namora com a lua.
um dia vai ao céu
e irá traze-la pra ser sua.
Uns dizem que ele sonha em ser astronauta,
outros o chamam de poeta.
Todos acham que o juízo lhe falta,
Ele diz que o amor lhe completa. — Vislumbro, astronauta ou poeta?