eu fico aqui no meu canto. choro, rio, me esperneio, mas não deixo ninguém perceber, sabe por que? porque ninguém se importa realmente com o que está acontecendo ou deixa de acontecer. pelo menos ninguém que realmente me conheça, porque estou aqui, no canto, na fila do psicanalista, esperando meu laudo. eu paguei a conta atrasada e isso o deixou furioso. ele não quer me apresentar o resultado. filho da puta. eu quitei minha dívida de qualquer forma, como qualquer outro por aí, qual o problema?
eu continuo no canto, chorando, com dor de cabeça e com as ideias girando em torno da minha memória. eu não estou louco. não posso estar. nunca tive mais certeza de nada na minha vida do que estou tendo agora. assim como as mariposas que vi em minha geladeira mais cedo. elas eram lindas e o melhor: elas me deram oi. eu sorri com aquilo. era a primeira vez que alguém, ou melhor, algo me dava atenção em uma semana, ou era um mês? não sei, mas louco eu não estou. não mesmo.
descobri que as flores não morrem, elas sempre ficam vivas em seus jardins, foi um pássaro azul que me disse enquanto eu vinha para cá. eu cantei “hey jude” com ele, mas ele era desafinado (não conte pra ele), mas de qualquer forma foi divertido.
eu ainda espero meu laudo, minhas ideias nunca estiveram mais encaixadas em seus devidos lugares do que hoje, eu me sinto leve e solto, como aquele pássaro que voa para qualquer lugar que queira, a qualquer hora.
estou olhando para o relógio e os ponteiros andam ao contrário e o psicanalista não vem com a droga daquele papel.
— Laudo: O paciente se encontra com um caso grave de loucura, ele jura que viu um duende no fim do arco-íris, seus padrões não correspondem ao normal.
Me disseram que estou louco, mas será que é do juízo ou do espírito?
Anarquismos.
(via me-god-you)