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Queria entender do medo e da coragem, e da gã que empurra a gente para fazer tantos atos, dar corpo ao suceder. O que induz a gente para más ações estranhas, é que a gente está pertinho do que é nosso, por direito, e não sabe, não sabe, não sabe! — João Guimarães Rosa
eu fico aqui no meu canto. choro, rio, me esperneio, mas não deixo ninguém perceber, sabe por que? porque ninguém se importa realmente com o que está acontecendo ou deixa de acontecer. pelo menos ninguém que realmente me conheça, porque estou aqui, no canto, na fila do psicanalista, esperando meu laudo. eu paguei a conta atrasada e isso o deixou furioso. ele não quer me apresentar o resultado. filho da puta. eu quitei minha dívida de qualquer forma, como qualquer outro por aí, qual o problema?
eu continuo no canto, chorando, com dor de cabeça e com as ideias girando em torno da minha memória. eu não estou louco. não posso estar. nunca tive mais certeza de nada na minha vida do que estou tendo agora. assim como as mariposas que vi em minha geladeira mais cedo. elas eram lindas e o melhor: elas me deram oi. eu sorri com aquilo. era a primeira vez que alguém, ou melhor, algo me dava atenção em uma semana, ou era um mês? não sei, mas louco eu não estou. não mesmo.
descobri que as flores não morrem, elas sempre ficam vivas em seus jardins, foi um pássaro azul que me disse enquanto eu vinha para cá. eu cantei “hey jude” com ele, mas ele era desafinado (não conte pra ele), mas de qualquer forma foi divertido.
eu ainda espero meu laudo, minhas ideias nunca estiveram mais encaixadas em seus devidos lugares do que hoje, eu me sinto leve e solto, como aquele pássaro que voa para qualquer lugar que queira, a qualquer hora.
estou olhando para o relógio e os ponteiros andam ao contrário e o psicanalista não vem com a droga daquele papel.

Laudo: O paciente se encontra com um caso grave de loucura, ele jura que viu um duende no fim do arco-íris, seus padrões não correspondem ao normal.


Me  disseram que estou louco, mas será que é do juízo ou do espírito?

Anarquismos.

(via me-god-you)
24/5/2013, 12577 notas.
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lessons-in-gore:

Bruise from a snowboarding accident that involved a collarbone broken in two places and a dislocated shoulder.
A bem dizer, ele pouco falasse. Se via que estava apreciando o ar de tempo, calado e sabido, e tudo nele era segurança em si. Eu queria que ele gostasse de mim. — João Guimarães Rosa
Se tem uma coisa que não suporto é a felicidade de um idiota, uma felicidade infundada. — BUKOWSKI, Charles. Pedaços de um caderno manchado de vinho. (via ovelhosafado)
Amo os teus defeitos
Beijo até teus joelhos Para Monize. (via momentosdefuga)
Tô precisando de abraço e silêncio na alma.
De onde vem a Poesia? Da extrema sabedoria? Da crua ignorância? Da observação meticulosa da Vida? Da versátil comunicação com os seres do espaço? Nunca ninguém poderá dizer. Ela vem do pensamento e do não-pensamento, da memória e do esquecimento. Ela vem num vôo rasteiro, num navio pirata, numa candeia de prata. Ela vem de onde o vento vai, de onde a onda divaga, de onde a nuvem flui.
A Poesia é mais misteriosa que o futuro que volta e meia se prevê. A Poesia não tem brevê e voa leve breve entre loopings e anjos. A Poesia é o que sei e o que esqueci.
Ah… Poesia, quando você chega, eu já vou indo. Você pode ser uma mulher na janela, um ferreiro na bigorna, um padre na missa, uma fera no bote. — CHACAL, ‘Poesia’. (via infertil)
23/5/2013, 9 notas.
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eu-sem-poesia:

Manoel de Barros - Poesia Completa
Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos amigos. Este é meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição deslocada me fantasiava de ateu. Como quem dissesse no Carnaval: aquele menino está fantasiado de palhaço. Minha avó entendia de regências verbais. Ela falava de sério. Mas todo-mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia fazer de uma informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir. De outra feita, no meio da palada um menino gritou: Disilimina esse, Cabeludinho. Eu não desiliminei ninguém. Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de poesia à nossa quadra. Aprendi nessas férias a brincar de palavras mais do que trabalhar com elas. Comecei a não gostar de palavra engavetada. Aquela que não pode mudar de lugar. Aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a cantar com saudade: Ai morena, não me escreve que eu não sei a ler. Aquele a preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, ampliava a solidão do vaqueiro. — Manoel de Barros (via naofedenemcheira)
A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os
vazios com as suas
peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos — Manoel de Barros (via senhora-lucifer)
Tenho memória péssima. Quase não me lembro do que vivi, só me lembro do que inventei. Prova de que a realidade é falsa, verdadeira é a invenção”. — Manoel de Barros (via taycris)
Na verdade, não sou muito bom com as palavras. Sinto-me muito tímido e nervoso. Guardo tudo para pôr no papel. Tenho certeza de que o senhor ficará desapontado comigo, mas sempre fui assim. Charles Bukowski.  (via anarquismos)
‘Em hora de desânimo, você lembra da sua mãe; eu lembro de meu pai…’ Não fale nesses, Diadorim… Ficar calado é que é falar nos mortos… Me faltou certeza para responder a ele o que eu estava achando. Que vontade era de pôr meus dedos, de leve, leve, nos meigos olhos dele, ocultando, para não ter de tolerar de ver assim o chamado, até que ponto esses olhos, sempre havendo, aquela beleza verde, me adoecido, tão impossível. — Grande Sertão: veredas, João Guimarães Rosa.
23/5/2013, 14951 notas.
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